Atlântico, de Maíra Zenun, é uma coletânea poética nascida da experiência da autora enquanto imigrante e mãe, entrelaçando reflexões sobre a identidade, a ancestralidade e o próprio acto de poetizar. Com uma escrita sensível e profunda, Zenun guia o leitor por paisagens simbólicas de águas, florestas e brisas, evocando o Atlântico como um espaço de travessia, memória e reencontro. A obra, marcada pela escrevivência, denuncia desigualdades sociais e heranças coloniais, ao mesmo tempo que celebra os afectos e as resistências. A sua poesia — desenvolvida desde o blogue Flores de Maio e aprofundada em Receita para podar felicidade — reafirma o lugar da mulher negra como sujeito poético e político, transformando dor e luta em arte, ancestralidade e celebração.